DEUS FAZ CAMINHOS ENGRAÇADOS! Reflexões autobiográficas – Juan Stam (tradução)

Deus faz caminhos engraçados! Reflexões autobiográficas – Juan Stam (tradução) – http://juanstam.com/dnn/Blogs/tabid/110/EntryID/496/Default.aspx

 

Parece que nosso Deus gosta de surpreender e fazer rir. Por isso Sara chamou “Riso” (Isaac) a seu filho e declarou em júbilo “Deus me fez rir”. Quanto reflito sobre as última décadas de nossa vida, me encontro diante do senso de humor de Deus. Por vezes, me evoca um sorriso contente, outras vezes gargalhadas de surpresa cósmica.

 

A) A década dos 1980, tanto nos EUA como na América Latina, foi de muita luta ideológica e anti-comunismo. Foram também fortes em Costa Rica as lutas entre lideranças. Nisso, alguns missionários nos acusaram de comunistas, e levaram suas acusações às três igrejas que desde 1954 apoiavam nosso ministério: uma que eu havia pastoreado entre 1950-52, outra era a igreja de Doris [esposa] e sua família e, por fim, um acampamento cristão que apoia missionário ao redor do mundo.

 

A resposta não tardou a chegar. A primeira nos desfiliou dos recebimentos imediatamente. A segunda também nos despediu, com seis meses de salário para a transição. O acampamento nos avisou que apoiariam qualquer decisão que fosse tomada pela igreja de Doris.  Ficamos órfãos! Sabíamos que isso poderia muito bem significar o fim de nosso ministério na América Latina. Não tínhamos economizado e era quase impossível que novas igrejas aceitassem financiar a estes “comunistas”.

 

Oramos muito e redigimos cada carta com muito cuidado. A igreja de Doris nos pediu que prometêssemos “não nos meter em política” e outras demandas igualmente inaceitáveis para nós. Colegas de Costa Rica escreveram apoiando-nos e um membro da Junta de la Misión Latinoamericana viajou até a igreja para nos defender. Com o tempo a igreja acabou abandonando suas demandas e votou por aceitar-nos como novos missionários. Pudemos defender a integridade de nossas convicções e nossa conduta sem perder nem um mês de salário, graças a Deus.

 

Agradecemos a essa igreja por sua objetividade, sabedoria e amor! Que Deus os abençoe!

 

Durante esse processo muitas pessoas pessoas se solidarizaram conosco e algumas começaram a contribuir muito generosamente para nosso salário. Continuam até a atualidade, e outros têm se reunido. Nos encontrávamos diante da falência e Deus usou uma grave crise ministerial para estabilizar nossas finanças até o dia de hoje.

 

Que simpático!  Obrigado, bom Deus!

 

B) Eu não queria ser escritor. “Eu nasci pra falar”, dizia, “não para escrever”. Citava uma base filosófica e uma base cristológica: Sócrates e Jesus não foram escritores mas afetaram profundamente a vida humana. Já existiam muitos autores; não era necessário outro.

 

Símbolo de toda essa antipatia era minha máquina de escrever. Pelejava comigo e não queria me deixar escrever. E o pior: nunca me perdoava os erros. Uma só dedada errada e voltava a copiar toda a página! Razão a mais para não escreve!

 

Mas nisso também interveio Deus e me enviou uma nova amigo, meu amigo computado! Esse amigo conversava comigo, corrigia meus erros amavelmente e me ajudou a escrever, alegremente, muitos artigos e uns quantos livros. Que teria esperado?

 

Graças, Senhor, e graças aos que me encorajaram (Alec Clifford, Horacio Fenton e, especialmente, René Padilla).

 

C) Iniciar um sítio eletrônio nunca foi ideia minha. Em dezembro de 2006, Ricky, nosso filho mais novo, que é técnico em computação, me disse “Papi, estou te preparando uma surpresa de Natal”. O presente se chama, até hoje, “com“. Inicialmente não me chamou muito a atenção nem tive muitas expectativas, mas peguei uns artigos, mais para não ser desagradecido com meu filho que por esperar muita resposta. Mas as pessoas respondiam cada vez mais e me animava semana a semana a pôr meu pensamento e minha vida mesmo por escrito, com grande alegria e entusiasmo. Nasceram artigos de exegese, de teologia e de história; de denúncia à destra e canhoto, de humor e interesses humanos. Estão todos em juanstam.com, esperando o/a leitor/a.

 

Obrigado, bom Deus. Obrigado, querido Ricky!

D) Uma experiência recente me inspirou toda esta série de reflexões eucarísticas. Faz alguns anos, meu livro Las buenas nuevas de la creación foi traduzido ao português [ver https://books.google.com.br/books/about/As_boas_novas_da_criação_Teologia_bíb.html?hl=pt-BR&id=5ODqmRIO5zkC / http://www.editoranovosdialogos.com/teologia/29-as-boas-novas-da-criacao.html ]. Agora uns irmãos brasileiros, que querem compartilhar nossa teologia com os irmãos do norte, me solicitaram autorização para traduzir o livro do português para o inglês! A experiência me pareceu engraçada: um missionário “gringo-tico” escreve um livro em castelhano, o traduzem para o português e do português ao inglês, quase como voltar a sua origem! Engraçado não para gargalhadas, mas para umas boas risadas!

 

Obrigado, Pai, por teu senso de humor em nossas vidas!

 

Juan Stam, 06/07/2018.

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