HÁ “NICOLAÍTAS EVANGÉLICOS” EM NOSSAS IGREJAS ATUAIS? – Juan Stam (tradução)

HÁ “NICOLAÍTAS EVANGÉLICOS” EM NOSSAS IGREJAS ATUAIS? – Juan Stam (tradução) – http://juanstam.com/dnn/Blogs/tabid/110/EntryID/110/Default.aspx

João de Patmos menciona duas vezes a existência de um misterioso e muito perigoso grupo herético, que chama “os nicolaítas” (Apoc 2:6,15). Os cristãos de Éfeso, que tinham muito discernimento doutrinário, aborreciam-se com as obras dos nicolaítas. Cristo lhes felicita por isso, já que ele também os aborrecia (Apoc 2:6). Mas em Pérgamo esse falso ensino, seguido de sua repudiável conduta, havia começado a se infiltrar na comunidade (2:15).

 

Qualquer coisa que Cristo aborreça deve ser tomada com  muita seriedade. É curioso, e parece contraditório, que o mesmo Jesus que critica aos efésios por terem perdido seu primeiro amor, lhes felicite por ter este ódio, que, de fato, é um ódio que ele compartilha. Por isso é importante entender bem em que consistia este “nicolaitismo” tão ofensivo ao Senhor da igreja.

 

João não nos explica a doutrina dos nicolaítas, nem suas obras, que deveriam ser odiadas, tampouco o motivo para chama-los “nicolaítas”. Será um apelido que João mesmo inventou? Algum “Nicolas” teria sido seu fundador? Os primeiros leitores de sua carta certamente entendiam bem , mas hoje não sabemos… De todo modo, o importante não é explicar o nome, mas descobrir qual era seu ensinamento tão reprovável.

 

A melhor chave parensina o povo de Deus a comer comida sacrificada a ídolos e a cometer fornicação.a decifrar o falso ensino dessa seita herética, e essa é quase a única chave de que dispomos, é sua correlação com dois outros erros: a “doutrina de Balaam” (2:14) e as “profecias de Jezabel” (2:20). Tudo indica que os três – nicolaítas, balaamitas e jezabelitas – eram uma e a mesma heresia. E de Balaam e Jezagel João aponta o mesmo erro: ensinar o povo de Deus a comer oferendas sacrificadas a ídolos e a comer fornicação.

Surgem, neste ponto, algumas perguntas: que tem e mal comer carne sacrificada a ídolos, se você não crê neles? Paulo até o permitia, já que os ídolos não são nada (1 Cor 8:1-10). Então, por que João proibia? Outra pergunta: de que tipo de fornicação trata o texto? Seria possível mestres cristãos ensinarem o “amor livre” nas igrejas e, mesmo, que um grupo de cristãos e cristãs o praticassem? Também: que tem a ver Balaam com tudo isso?

 

O Antigo Testamento fala de Balaam, mas em nenhuma parte menciona nada sobre comidas sacrificadas a ídolos ou fornicação. Mas imediatamente após o episódio de Balaam, a Bíblia conta que os israelitas começaram a fornicar com as filhas de Moab, a assistir a sacrifícios e a comer o que era sacrificado. Por isso Deus teria ordenado um grande massacre em Baal-peor (Num 25:1-3,9). Os rabinos explicam o papel de Balaam nessa tragédia. Quando não pôde mais profetizar contra Israel e temia perder seu salário, prometido por Balac, Balaam concebeu uma estratégia: fracassada sua missão profética, propôs a Balaque ir à tenda da anciã que, do lado de fora, convidava os israelitas a comprar roupas de linho. Dentro da tenda, uma moça bonita ofereceu-lhes vinho amonita e, quando embriagados, os seduziu sexualmente, fazendo-os adorar a ídolos e negar a Deus (ver Stam, , Apocalipsis, Tomo I p. 108-109). Parece que João cita essa história antiga para associar a doutrina dos nicolaítas a um dos personagens mais repugnantes do Antigo Testamento.

 

Mas a situação em Tiatira era ainda mais perigosa, por três razões: (1) a nova teologia de acomodação ao mundo vinha promulgada por uma suposta profetisa; (2) em Tiatira, toda a vida econômica estava organizada em corporações de ofício; para prosperar, talvez mesmo sobreviver, era necessário afiliar-se a uma delas, mas as reuniões e festas dessas corporações sempre incluíam atos de adoração ao imperador a aos deuses. “Jezabel” lhes dava uma mensagem de acomodação: não há nenhum problema em participar desses atos de idolatria. Por isso, (3) em Tiatira o grupo nicolaíta era muito maior que em Pérgamo. Parece que em Sardis era ainda maior, de modo que os que não caíram nessa idolatria eram “poucos” (3:4).

 

Era muito atraente essa doutrina. No simples ato de ir ao templo do imperador, queimar incenso e dizer “César é senhor”, uma pessoa acabava ficando bem com Deus e com o diabo. A vida era muito mais cômoda, com possibilidade de prosperidade e tranquilidade, sem problemas.

 

Los nicolaítas “no eran ni chicha ni limonada”.  ¿Habrá nicolaítas en nuestras iglesias hoy?

O nicolaítas “não eram nem chicha nem limona” (ver Victor Jara – Ni Chicha ni limonada). Haveria nicolaítas em nossas igrejas hoje?

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